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O porquê da repetição no Aikido

Inspirado na obra de Paulo Coelho “O Arqueiro”

O objetivo último no Aikido é tornar a técnica intuitiva, todavia a intuição não é rotina, é algo livre, flexível e criativa.
“Assim depois de muito praticar, já não pensamos em todos os movimentos necessários: eles passam a fazer parte da nossa própria existência. Mas, para isso, é preciso treinar, repetir.”
O Ato de repetir pode parecer igual, mas carrega em si uma aprendizagem continua, uma variabilidade constante ao longo de um caminho de aperfeiçoamento, que acolhe o erro como parceiro.
Tal como “a mão do Ferreiro foi educada por ter repetido milhares de vezes o mesmo gesto.” […] Tal como “o Arqueiro permite que muitas flechas passem longe do seu objetivo, porque sabe que vai aprender…”
Também o Aikidoca vai repetir milhares de vezes as mesmas técnicas, encontrando inúmeros obstáculos, aprendendo assim a importância dos espaços, dos tempos, dos ataques e dos atacantes. Os gestos podem parecer repetitivos, mas cada um traz novos ensinamentos, dando pistas para um caminho uno e intuitivo entre o corpo e a ferramenta.
“Até que um dia chega o momento em que já não é preciso pensar no que se está a fazer. A partir daí, o arqueiro passa a ser o seu arco, a sua flecha e o seu alvo.”
Tal como o Aikidoca almeja encontrar um caminho de harmonia entre Ele, o Tempo, o Ataque, e o Uke (oponente).
Tantas são as analogias que podem ser retiradas deste belo livro, não só para a modalidade de Aikido mas também para a Vida.

Amílcar Antunes